Mudança de trabalho e subsídios

02 julho, 2022 por Aurélio Pita

Foi uma decisão difícil mas decidi trocar de trabalho. Assim, Junho foi o meu último mês como funcionário da Blip, no Porto. Foram 5 anos incríveis e só posso concordar quando dizem que é uma das melhores empresas para trabalhar em Portugal.

Devido ao meu nível de senioridade na empresa, tive que apresentar a minha carta de demissão com 90 dias de antecedência. Durante esses 3 meses, dois trabalhei e no último, decidi usufruir de todos os dias de férias que ainda tinha livres.

Com isto, Junho foi também o mês do meu último salário, o que levou-me a ter direito a alguns subsídios.

No site da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) é possível simular a compensação por cessação de contrato de trabalho. Após introduzirmos alguns dados, o site apresenta exatamente quanto devemos receber em subsídios no nosso último mês.

O valor dos subsídios vai depender essencialmente do nosso salário, da nossa antiguidade na empresa, dos meses trabalhados no ano corrente, da quantidade de férias por gozar e dos subsídios que já recebemos até à data.

Subsídios recebidos

O que recebi no salário bateu exatamente com a simulação que fiz.

Devido ao facto de ainda não ter recebido o subsídio de férias deste ano, tive direito a receber esse subsídio por inteiro. Também, como trabalhei 6 meses este ano, tive direito a ser compensado proporcionalmente no subsídio de férias, subsídio de Natal e ainda férias não usufruídas.

No total, o recibo de vencimento mostrava o seguinte:

  • Salário
  • Subsídio de férias: um salário
  • Compensação proporcional subsídio de férias: meio salário
  • Compensação proporcional subsídio de Natal: meio salário
  • Compensação proporcional férias não usufruídas: meio salário

Isto deu um total de aproximadamente 3 salários e meio.

É importante ter noção que todos esses subsídios foram ganhos com dias de trabalho e iria recebê-los eventualmente no futuro. Não estou a ganhar mais por ter simplesmente saído da empresa.

O que fiz com os subsídios

Lembro-me de em miúdo ver o “Pinky e o Brain” onde todos os episódios começavam com a pergunta: “O que vamos fazer hoje Brain?” e a resposta: “O mesmo de sempre Pinky, tentar conquistar o mundo!”

É mais ou menos assim que me sinto mensalmente. Quando me pergunto o que fazer com o dinheiro extra, a minha cabeça responde: “O mesmo de sempre Pinky, investir!”

Investir nos mercados em queda

A maior parte do dinheiro foi direcionada para os investimentos. Coloquei cerca de 65% do valor recebido no IWDA, o ETF onde invisto.

Os mercados estão em queda e o IWDA está a perder aproximadamente 15% desde o seu máximo histórico. Para mim é como ir de compras e ver saldos na nossa loja favorita.

O futuro a curto prazo é imprevisível, tanto espero uma queda ainda maior como uma recuperação inacreditável. Aconteça o que acontecer, tenho a estratégia bem definida: continuar a investir consistentemente todos os meses.

Viver com o resto

Como recebi mais dinheiro do que o habitual, 35% continua a ser mais do que suficiente para as despesas fixas que tenho mensalmente.

Como habitualmente, desse dinheiro ainda coloquei parte na conta do “Dar”, parte na conta do “Carro” e parte na conta das “Férias”. Fiquei com cerca de 10% para gastar livremente.

Para quem pensa que 10% é pouco, reforço a ideia que praticamente todas as despesas expectáveis na minha vida já estão asseguradas pelas poupanças feitas anteriormente.

Se o carro avariar, uso a conta do carro, quando for de férias, uso a conta das férias, alguém faz anos, uso a conta do dar. Para algum imprevisto mais grave, uso o fundo de emergência.

Estes 10% são para gastar livremente no dia a dia. Serão gastos em coisas como restaurantes, bares ou atividades como cinema ou pádel, que comecei recentemente a jogar.

Viver com apenas 10% parece limitativo, mas sinto exatamente o contrário. É libertador não ter que pensar em mudar o meu dia a dia porque apareceu-me um imprevisto.


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